Casos de Covid-19 voltam a subir na Espanha, e jovens são os mais infectados

Por Redação em 01/08/2020 às 12:43:24

A infecção pelo novo coronavírus é cada vez mais frequente na Espanha entre os jovens, o que está associado a poucas precauções em festas e atividades noturnas, confiantes erroneamente de que são imunes e que a doença afeta principalmente os idosos. "Eles abraçaram a ideia de que o vírus afeta principalmente pessoas idosas, com patologias anteriores, e que se eles sofrem da doença, é menos grave neles", afirmou a psicóloga Amaya Prado, especializada em temas educacionais e de família. O comportamento também é influenciado pelo desenvolvimento evolutivo dos jovens. "Eles pensam que não vai acontecer com eles, que eles têm muita vida pela frente", declarou Amaya. E tudo isso apesar do fato de que os avisos começaram há algum tempo, pouco depois que a pandemia foi declarada. "Você não é invencível, este vírus pode levá-lo ao hospital ou mesmo matá-lo", advertiu o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, em 20 de março.

Na Espanha, a epidemia atingiu os idosos nos momentos mais difíceis, quando o sistema de saúde era incapaz de cuidar de todos os doentes. Entre março e abril, 85% dos que morreram tinham mais de 70 anos, muitos com patologias anteriores. A idade média dos infectados era então de entre 62 e 63 anos, de acordo com dados oficiais. Desde 21 de junho, quando o estado de alarme terminou e a atividade comercial e as relações sociais se intensificaram, a idade dos contagiados pelo vírus SARS-CoV-2 caiu para 36 anos, no caso das mulheres, e 38 anos, no caso dos homens, nas últimas três semanas. Isso também está acontecendo em países como França e Japão.

A infecção continua ativa na Espanha em cerca de 500 surtos, sendo 70% deles de menos de dez pessoas e 60% casos assintomáticos. Nesta sexta-feira (31), houve mais de 1,5 mil novos casos, de acordo com dados oficiais. "Estamos em um cenário de controle dos surtos", declarou neste sábado (1) o ministro da Saúde, Salvador Illa, que pediu novamente aos jovens que obedeçam as recomendações sanitárias. Ele também reiterou que a Espanha é um destino turístico seguro, se os protocolos de higiene e prevenção forem aplicados. A origem das infecções está, sobretudo, em reuniões familiares, festas particulares e estabelecimentos de lazer, bem como em encontros noturnos ilegais de jovens ao ar livre para consumir bebidas alcoólicas. Essas são atividades nas quais as medidas preventivas como o uso de máscaras e a distância interpessoal são relaxadas.

O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, pediu ontem às autoridades regionais que prestassem a máxima atenção à vida noturna e às comemorações. Já existem restrições quanto ao número de clientes e ao horário de funcionamento em hotéis, casas noturnas e bares, apoiadas pelo Ministério da Saúde. Porém, as autoridades também têm que combater a rebeldia daqueles que permanecem envolvidos nas celebrações ou se recusam a respeitar o isolamento e a serem submetidos a testes de diagnóstico quando um caso é detectado.

Contra esse pano de fundo, é apropriado sensibilizar os jovens. "Você não só fica doente, mas pode infectar as pessoas que mais ama, seus avós ou seus pais, que podem adoecer e até morrer", é a mensagem proposta por Amaya. Ela defende campanhas que mostrem através de vídeos, por exemplo, como o vírus é transmitido e como se proteger. E é essencial que elas sejam divulgadas em redes sociais, o canal de comunicação mais comum para os jovens. Outro aspecto que, segundo a especialista, pode influenciar algumas pessoas mais novas é que elas dão muito mais importância às relações sociais do que ao risco que elas representam.

Em outras palavras, os amigos são a prioridade máxima, especialmente depois que a Espanha suportou um duro confinamento em casas por mais de três meses, entre março e junho, sem que fosse permitido que se vissem pessoalmente. E na visão da psicóloga, para que o comportamento responsável se enraíze entre os jovens, os adultos e os líderes sociais e políticos têm que dar um exemplo impecável para evitar contradições entre o que recomendam e o que fazem, algo que nem sempre acontece.

*Com EFE

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