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08/02/2019 - 17:40
Guerra do tráfico: De Rafaat a Minotauro, entenda a disputa
Mortes em uma guerra sem fim pelo comando do tráfico na fronteira

PF afirma que ao menos 30 execuções na região de Ponta Porã (MS) e Pedro Juan Caballero, no Paraguai, estariam relacionadas à disputas pelo tráfico de drogas.

A fronteira do Brasil com o Paraguai, em Ponta Porã, região sul de Mato Grosso do Sul, sempre foi marcada por execuções, tiroteios, tráfico de drogas e armas. O local é uma das principais portas de entrada de entorpecentes e armas de grosso calibre no país.

A característica violenta da região ganhou ares de guerra nos últimos anos com a disputa pelo controle do local entre facções criminosas. Junho de 2016 marca a intensificação desta guerra com a morte de Jorge Rafaat, conhecido como "Rei da Fronteira". O G1 traçou um panorama desta disputa que, só em 2018, vitimou 30 pessoas.

Em 15 de junho de 2016, Rafaat caiu em uma emboscada em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia que faz fronteira com o Brasil e que é vizinha de Ponta Porã. O traficante estava em uma caminhonete, quando foi surpreendido por um outro veículo que seguia à frente. Pela parte traseira, um homem atirou contra Rafaat usando uma metralhadora ponto 50. A caminhonete, mesmo blindada, não resistiu ao armamento de guerra. Rafaat morreu ainda no local.

Após a execução de Rafaat, tanques de guerra do Exército Brasileiro foram para as ruas do município sul-mato-grossense. No mesmo dia, do lado paraguaio, a loja de pneus do traficante em Ponta Porã amanheceu queimada.

Outro empreendimento de Rafaat foi atacado. A empresa de segurança dele foi metralhada e teve vidros e portas destruídas. No mesmo mês, dois suspeitos pela morte do traficante foram presos.

Em dezembro de 2018, um dos seguranças de Rafaat, Orlando da Silva Fernandes, de 41 anos, foi executado com tiros de fuzil, em Campo.

Grande. Os disparos atingiram principalmente a cabeça dele. A polícia encontrou pelo menos 40 cápsulas de bala no local do crime.

Mesmo preso, Jarvis Ximenes Pavão, conhecido como "senhor das drogas" passou a ser, segundo a polícia paraguaia, um dos suspeitos pela morte de Rafaat e um dos sucessores do tráfico na região.

Jarvis Pavão cumpria pena no país vizinho desde 2009, e também tinha sido condenado no Brasil a 17 anos de prisão por tráfico de drogas. Ele era apontado pela Justiça do Brasil como representante, na fronteira, de uma quadrilha paulista que atua dentro e fora dos presídios.

Em 2017, de acordo com as policias paraguaias e brasileiras, mais de 20 execuções foram registradas na região da fronteira. Um delas foi a do irmão de Jarvis, Rony Pavão, assassinado em março de 2017, com disparos de pistola 9 milímetros. Segundo as investigações, a morte foi resultado da guerra pelo controle da venda de drogas.

Em dezembro de 2017, Pavão foi extraditado para o Brasil para cumprir 17 anos e 8 meses no Presídio Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, por tráfico e lavagem de dinheiro.

A advogada de Jarvis, a argentina Laura Marcela Casuso, de 54 anos, foi executada a tiros em novembro de 2018, em Pedro Juan Caballero. Segundo a polícia paraguaia, um homem atirou na mulher por várias vezes e depois fugiu em uma caminhonete preta.

No mês seguinte, um novo atentado. Homens armados com fuzis e metralhadoras AK-47 atiraram no veículo em que estavam 4 pessoas, entre elas, o sobrinho de Jarvis. Ele foi ferido e hospitalizado.

Por Ricardo Freitas, G1 MS

 

 

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